sábado, 21 de maio de 2011

Professora Amanda Gurgel (Rio Grande do Norte)

Olá!
Está circulando na net um vídeo com uma fala muito inteligente e corajoso da professora Amanda Gurgel, a respeito das condições de sua profissão. À frente da secretária de educação e de deputados, ela fala de modo louvável sobre alguns problemas comuns à maioria dos professores.
Não vou postar o vídeo aqui porque já há bastante acesso no youtube (mais de 700 mil acessos). Deixo o link, que deveria ser acessado e divulgado por todas as pessoas que acreditam (levianamente) que a Educação, do jeito que está, poderia contribuir com alguma coisa nesta sociedade.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A cartilha "errada" do MEC

Responda-me, caro leitor, uma coisinha simples: quando você está a fim de convidar um amigo, uma amiga, para tomar uma cervejinha, você diz “E aí, vamu tomá u’a gelada?” ou “Prezado nobre, acompanha-me à degustação de uma cerveja?”? Se você for uma pessoa desde planeta, certamente falará algo próximo ao primeiro exemplo. Mas, não fique espantado. Isso de jeito nenhum significa que você é burro ou não sabe falar direito. É característica de toda linguagem ser falada de forma diferente (ora mais, ora menos) em relação à sua escrita dita “formal” ou “padrão”.

É nesse sentido (de que se escreve uma coisa e fala-se outra), que a professora Heloísa Ramos tenta contribuir na publicação do livro Por uma vida melhor, impresso e distribuído pelo Ministério da Educação via Programa Nacional do Livro Didático a 4.236 escolas. Partindo, ao que me parece, dos pressupostos desenvolvidos pela teoria variacionista da Sociolinguística, a autora simplesmente chama a atenção à realidade de que falamos uma língua e escrevemos outra. Afinal, para estar adequado à norma padrão de escrita, quem é que nunca sofreu com uma crase, uma concordância verbal, regência nominal, coisa do tipo?

De um lado, especuladores políticos, acusam o MEC do PT de distribuir cartilhas com erros gramaticais que incentivam a escrever e falar errado. Perigoso jogo político jogado por especialistas em especulação que, por trás, não estão nem um pouco preocupados com o “uso da língua”, e sim em desocupar logo os cargos que eles perseguem. De outro, não-especuladores políticos (no sentido não visarem necessariamente uma nomeação de ministério, de secretaria) que se estendem desde alguns deuses da Academia Brasileira de Letras até viventes do cotidiano comum (professores, jornalistas, alunos, catadores de latinhas analfabetos) são levados pela maré do “estão assassinando a Língua Portuguesa”.

A questão é: não se pode assassinar algo que não existe! A língua, tal como propôs Ferdinand de Saussure em 1916 no seu famoso Curso de Linguística Geral, simplesmente não existe. Para Saussure, a língua seria um sistema completo e abstrato, possível de ser estruturado e analisado objetivamente por meio de critérios que, pelo lado bom da coisa, permitiram a instituição da Morfologia, da Fonologia e da Sintaxe. Mas, a respeito da fala cotidiana e principalmente da Semântica (área que se dedica ao sentido das palavras) a Linguística que desconsidera elementos sócio-históricos como, por exemplo, as condições de produção das quais o funcionamento de uma fala ou de um texto são constituintes (e isso é fundamental à compreensão) é falha logo de início.

Em outras palavras, o que quero dizer é que essa ideia de língua perfeita, como se houvesse um punhado de palavras à disposição do falante, bastando a este saber as regras e as leis de uso para um bom desempenho verbal (tal como previa a equivocada Retórica aristotélica), é radicalmente falsa. A língua não é uma instância suspensa em um mundo metafísico. Ela se constitui no movimento, no acontecimento, se cria nas práticas cotidianas muito diversificadas dos sujeitos falantes em suas relações com o simbólico, com o discurso, com a história, com o inconsciente. Por isso, as pessoas falam de modos diferentes, escrevem de modos diferentes e assim sempre o será. Supor que se pudesse atingir um nível perfeito de escrita ou de fala perpetua divisões sociais e preconceitos do tipo: ele é burro, pois escreve errado. / não tem estudo, pois não sabe falar direito.

Quando a professora Heloísa propõe considerar “os menino pega o peixe”, o problema a ser pontuado não é se se fala errado ou certo, como gritam agora alguns experts: “MEC distribui cartilha com erros gramaticais e grafias incorretas”. Trata-se de uma corajosa posição que, como diz o próprio título do livro, prevê olhares sobre a língua Por uma vida melhor, por consideração às diferenças sócio-histórico-econômicas e, principalmente, sobre aquilo que causa essas diferenças.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Como os americanos "sepultaram" bin Laden

Olá!
Este vídeo é prova inquestionável da eficácia norte-americana. Veja como foi o sepultamento do corpo de Osama bin Laden, jogando-o no mar: sem cerimônias, sem mídia, sem cinto de segurança, rápido e simples. Eheh!

sábado, 7 de maio de 2011

Este azul que não é azul



Olhando esta imagem, me respondam: Que cor é esta no céu? Azul não vale, pois já é uma resposta convencionada e deformada: deformada porque da essência em si primeiro virou luz aos meus olhos e, aqui, é imagem digitalizada. Convencionada porque decidimos, sabe-se lá como, chamar de azul o que não é verde, vermelho, amarelo...
Cor do sentir, do viver, inexplicável. Umas das cores que montam o que Clarice Lispector (A paixão segundo GH) sensibiliza como "linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo". Tão misterioso...

Falta de educação à Educação?

Olá!
Ocorreu, nos dias 05 e 06 de maio deste ano, o Seminário de Pesquisa do mestrado em Letras da Unioeste. Durante uma das apresentações, um grande grupo de universitários percorreu o campus (Cascavel) em protesto à falta do Restaurante Universitário. A apresentação teve de ser interrompida por causa da barulheira causada pelos gritos, apitos e tambores. Alguns professores e alunos presentes na sala se sentiram incomodados com o barulho e só puderam continuar o seminário depois do manifesto.
O engraçado da coisa, e o que me levou a fazer esta breve filmagem, é que a apresentação interrompida tratava de intervenções às práticas docentes por meio do estudo de gêneros do discurso. Enquanto em uma sala fechada se discutiam questões para "melhorar" o ensino, ali fora se ensinava para quê serve a Educação: desestabilizar o comodismo de alguns para uma condição bacana de sobrevivência a todos.

 
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