terça-feira, 31 de março de 2009

Propaganda do Punto T-jet na Veja

Olá! Devo enfatizar que a ideia inicial deste espaço é questionar acontecimentos de forma simples. Mesmo porque não poderia ser de modo especializado, ainda que quisesse! (eheh). Portanto, gostaria que refletissem comigo sobre uma propaganda do carro Punto T-jet que saiu na Veja desta semana.
O texto imagético, em si, não tem nada de mais. Pois, o que muda de um modelo ao outro é apenas o design da roda e a cor do carro. O que nos interessa é tentar interpretar os textos escritos acima e abaixo de cada modelo.
Por conhecimento comum, presumimos que se um despertador toca, é para acordar alguém, em determinada hora, por função de algum compromisso. Na propaganda, subentende-se que o atraso seja em relação ao horário inicial de um dia de trabalho. Daí, um tipo de carro, ou melhor, uma graduação de potência/motor (1.4, 1.8 e Tjet de 152 cavalos) para cada tipo de atraso.
Deixando o humor de lado, nos interessa fazer uma leitura sobre a relação que é criada entre cada tempo de atraso e seu devido modelo de Punto: quando mais atrasado o cara acordar, um motor mais potente para compensar.
E, aqui, chegamos ao que interessa. Sabemos que quanto mais potente o motor, mais veloz o carro pode ser. A ideia central da propaganda parece ser: se você estiver atrasado, o T-jet é um carro ideal para compensar esse atraso. Como? Através de mais velocidade, mais potência de motor, superior aos demais carros, sendo capaz de superar e/ou equivaler a um atraso de mais de 40 minutos!
Se a velocidade de uma via for 60km/h (aqui mesmo em Cascavel não existe uma via sequer que permita, pelo menos em lei, mais velocidade), seja um 1.0 qualquer ou um T-jet, todos deveriam andar dentro do limite estabecido. Isso é o que todas as autoridades justificam e enfatizam em campanhas de trânsito consciente.
Ora, para uma revista que se jura tão comprometida com o politicamente correto, um incentivo deste soa, no mínimo, como uma puta contradição! O cara pode estar atrasadão, mas, se tiver um T-jet para acelerar fundo, está tudo resolvido. Limite de velocidade? Isto está fora de questão. Contudo, não sejamos demasiadamente burros! É claro que a Fiat despeja uma grana legal ali na Abril.
O que eu gostaria de destacar aqui é que as coisas me parecem assim mesmo: contradições constantes. A mesma página que prega as
40 Propostas que o Brasil não pode esquecer, excita no seu verso a burla, a quebra da própria regra, o ultrapassagem dos próprios limites que dita.

terça-feira, 24 de março de 2009

Filme: O céu de Suely

Olá pessoal! Nesta postagem gostaria de indicar um excelente filme sobre o qual desenvolvi, com a preciosa ajuda do professor Dr. Acir Dias, um texto voltado à questão da memória e esquecimento. Através da simplicidade, do cotidiano do sertão cearense de como as pessoas falam, conversam ou se divertem, o filme nos mostra uma parte da vida de Hermila que, no entremeio da errância e da estratégia, busca reinventar-se, refazar-se.
O céu de Suely é o segundo longa-metragem produzido pelo diretor brasileiro KArim Aïnouz. Lançado aos cinemas brasileiros em novembro de 2006, o filme nos apresenta, num contexto contemporâneo, Hermila, uma jovem de 21 anos que retorna de São Paulo à Iguatu, no sertão central do Ceará. Com seu filho ainda bebê (Mateuzinho), ela chega a Iguatu com o plano de montar uma banca de vendas de CD's e DVD's através de uma copiadora que seu parceiro/namorado/marido (Mateus) traria posteriormente. Porém, passam-se dias e Mateus não chega ao encontro de Hermila conforme o combinado, o que desorienta o plano obrigando-a a refazer a vida. Abandonada por Mateus, ali tem apenas a tia e a avó como família e, insatisfeita com os tipos de trabalho e modos de vida do local, decide partir novamente para qualquer lugar desde longe dali.
Como não tem dinheiro pra viajar, decide então vender uma rifa cujo prêmio será o próprio corpo, ou "uma noite no paraíso" como diz a personagem. A rifa vira um sucesso, adquire popularidade e causa muita polêmica entre os mais moralistas, inclusive sua avó que a obriga a pedir desculpas e a expulsa de casa. Contudo, sendo que o objetivo de Hermila é mesmo ir embora de Iguatu, persiste no plano da rifa, reúne o dinheiro necesário, compra a passagem e ...

Quando puderem, assistam! É belo e emocionante. No link abaixo, está o texto completo que fiz sobre o filme, publicado nos anais do VIII Seminário de Literatura, História de Memória da Unioeste:

http://cac-php.unioeste.br/eventos/seminariolhm/anais/Arquivos/Artigos/Seminario/seminario_imagem_8.pdf

Abraços e boas emoções!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cotidiano bélico

No texto intitulado “Não ao sexo rei”, que trata de uma conversa entre Bernard Henri-Lévy e Michel Foucault, Henri-Lévy questiona Foucault sobre o uso de metáforas guerreiras em suas respostas: poder e resistência, tática e estratégia, etc. Considerando que um dos interesses do diálogo está na questão do poder e no modo das relações em que o poder ocorre, responde, então, Foucault que há apenas dois modelos para se analisar as relações de poder: o direito tal como o conhecemos institucionalmente (o poder como lei, proibição, direitos, etc.) e o modelo guerreiro, no sentido de luta mesmo, em forma de guerra.
Sobre o primeiro, diz ser inadequado porque o direito não descreve o poder. A propósito, nem existe o poder em si, como objeto, e sim relações de poder. Sobre o segundo, há constantes manifestações, mas, frouxas e majoritariamente verbais. Fala-se, fala-se, fala-se e nada. Enfim, a proposta sobre o estudo do poder implica, segundo Foucault, a necessidade de aprimorar a análise das relações de força.
Pois é, preocupe-se aí amigo leitor! O assunto é meio complicado mesmo. Mas, o objetivo deste texto é tentar, na nossa exuberante ignorância, pensar estas relações de poder e força sobre nosso cotidiano. Como podemos observá-las? Para quê um acontecimento A e não B, ou Z? Nesse ponto somos tentamos a pensar: onde há uma relação de força, esta ocorre porque há necessariamente uma luta, uma batalha. Contudo, Foucault mesmo adverte que a afirmação de uma luta não pode servir de explicação para uma relação de força. Por quê? Porque a luta só adquire significado em um modo operatório. Ou seja, sendo cada caso um caso, quem está em luta? Pelo quê há luta? Luta-se com que instrumentos? A favor de quê? Em quantos?
Então, pergunto: você acredita que vive em um cotidiano bélico? Quem é teu inimigo? Qual teu objetivo caso acredite que irá vencer uma luta?
Observemos alguns fatos recentes. Lembra daquele cara que atirou os sapatos contra o Bush lá em Bagdá? Muntader al-Zaidi, jornalista, está condenado a nada menos que 3 anos de prisão. E o miserável ainda errou a sapatada! Porém, o Collor, aquele do impeachment, ficou, entre 1992 e 2000, privado dos maravilhosos direitos políticos e agora aí está: presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, à forra com as fortunas do PAC. E o Renan? Lembra? Para esse Calheiros, a luta foi só renunciar à presidência do Senado. Continua senador e líder do partido, ainda que seja o PMDB. Alguém me explique, satisfatoriamente, tais relações. Como e porque quem ganhou, ganhou assim?
Tenho certeza de que você pode listar inúmeras outras relações de poder e luta sem colocar um político sequer. Quem é teu inimigo? Se nosso cotidiano é bélico, você sabe a resposta.
Achando que sei quem sou, ou, pelo menos, supondo a situação em que vivo, prefiro observar e viver as relações de poder do nosso cotidiano pela segunda proposta foucaultiana. Não por parecer mais violenta que a outra, mais ou menos eficaz. Até porque ele mesmo, Foucault, quando questionado se desejaria uma revolução, disse não ter resposta pronta. Mas, por saber e perceber dolorosamente, na relação mais estreita de força e poder, que a primeira é um magnífico e complexo teatro.
Às vezes, no desespero da perspectiva, pensando nos nossos inimigos, futrico comigo mesmo, daqui e ali, algumas ideias bélicas para poder permanecer no jogo, para lutar, para manter minhas débeis e persistentes relações de forças, seja lá de onde vierem. Mas, a cada página, a cada site, a cada TV, a cada barulho, a sensação é já ter nascido game-over.

Texto publicado em 20 de março de 2009 nos jornais:

O Paraná (http://www.oparana.com.br/)

Hoje (http://www.jhoje.com.br/20032009/opinioes.php)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Está inaugurado!

Olá pessoal! Esta é a postagem inaugural deste blog. A ideia é criar um espaço para debates e enriquecimento de pensamentos. Espero que gostem e, sobretudo, participem pela colaboração de suas preciosas opiniões e sugestões. Aqui, também, espero publicar textos, fotos e vídeos de interesses afins, produzidos por amigos e amigas.
Os assuntos deste blog, por dois motivos, ousarão circundar os tópicos descritos no topo da página: política, filosofia, arte e educação. Primeiro, porque são os assuntos que mais me interessam e, segundo, porque acredito que grande parte da movimentação social se funda mais ou menos por aí. Independentemente, seja um fato ocorrido no bairro vizinho ou a chegada do Collor à presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado, o importante é multiplicar conversas, possibilitar a expansão de ideias.
Ao contrário do que se poderia imaginar, não pretendo explicar ou ensinar nada pelos trabalhos expostos aqui. Almejo aprender e interagir com os comentários, com as discussões que podemos traçar.
Em breve, postarei textos que frequentemente são publicados em alguns jornais desta cidade. Espero a colaboração de cada visitante! Bem-vindo (a)!

Abraços
Eder José

 
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