Por conhecimento comum, presumimos que se um despertador toca, é para acordar alguém, em determinada hora, por função de algum compromisso. Na propaganda, subentende-se que o atraso seja em relação ao horário inicial de um dia de trabalho. Daí, um tipo de carro, ou melhor, uma graduação de potência/motor (1.4, 1.8 e Tjet de 152 cavalos) para cada tipo de atraso.
Deixando o humor de lado, nos interessa fazer uma leitura sobre a relação que é criada entre cada tempo de atraso e seu devido modelo de Punto: quando mais atrasado o cara acordar, um motor mais potente para compensar.
E, aqui, chegamos ao que interessa. Sabemos que quanto mais potente o motor, mais veloz o carro pode ser. A ideia central da propaganda parece ser: se você estiver atrasado, o T-jet é um carro ideal para compensar esse atraso. Como? Através de mais velocidade, mais potência de motor, superior aos demais carros, sendo capaz de superar e/ou equivaler a um atraso de mais de 40 minutos!
Se a velocidade de uma via for 60km/h (aqui mesmo em Cascavel não existe uma via sequer que permita, pelo menos em lei, mais velocidade), seja um 1.0 qualquer ou um T-jet, todos deveriam andar dentro do limite estabecido. Isso é o que todas as autoridades justificam e enfatizam em campanhas de trânsito consciente.
Ora, para uma revista que se jura tão comprometida com o politicamente correto, um incentivo deste soa, no mínimo, como uma puta contradição! O cara pode estar atrasadão, mas, se tiver um T-jet para acelerar fundo, está tudo resolvido. Limite de velocidade? Isto está fora de questão. Contudo, não sejamos demasiadamente burros! É claro que a Fiat despeja uma grana legal ali na Abril.
O que eu gostaria de destacar aqui é que as coisas me parecem assim mesmo: contradições constantes. A mesma página que prega as 40 Propostas que o Brasil não pode esquecer, excita no seu verso a burla, a quebra da própria regra, o ultrapassagem dos próprios limites que dita.
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Eder José













