quarta-feira, 27 de abril de 2011

Dilma e as privatizações de aeroportos

Por conta da Copa do Mundo de futebol que nosso país infelizmente sediará, o governo Dilma está cedendo a pressões de privatização. Digo infelizmente por que vejo poucos benefícios para investimentos tão altos e, pior do que isso, problemas com as privatizações que daí decorrem, como às construções, reformas e gestões de aeroportos, por exemplo.
Ora, uma pessoa preocupada com alguma espécie de equilíbrio social jamais pode ser a favor de tornar particular o que pode ser público. Creio que privatizar as coisas estatais só tende a alimentar ingenuamente a insaciável fome dos capitais. Livra-se dos deveres do Estado que se propõe (leia-se: obriga) a gestar as produções da sociedade e se acentua a necessidade de trabalho de exploração para que quem quiser fazer qualquer coisa, que tenha dinheiro. Caso contrário, está imediatamente excluído ou será escorado por alguma cota, alguma bolsa, para amenizar a situação entre os que podem/têm e os que não podem.
O que poucos compreendem é que privatizar significa tornar particular, dar autoridade e poder de posse a algumas poucas pessoas para que possam explorar muitas outras. Isso só pode piorar as relações econômicas do social, pois uma pequena parte sempre lucrará e a maioria terá que trabalhar desgraçadamente se quiser usufruir (leia-se: dar lucro) às "benfeitorias" do que foi privatizado. Há, de fato, centenas de regras administrativas e econômicas para explicar essa situação e esse meu simples comentário pode soar capcioso e ignorante. Pode ser. Mas, não deixa de ter sua verdade. Falo pelas palavras dos que por último seguram a batata quente nas mãos, até ao ponto de, por não terem mais para quem jogá-la, acabam se queimando.
Pretensos estudos “científicos” à parte, e com a batata quente na mão, gostaria de se fazer pensar que privatizar é um excelente negócio para aquele que já tem dinheiro aplicar, explorar via obscuras técnicas de poder (estamos rodeados de policiais, de câmeras, de leis, até mesmo dessas coisas de auto-ajuda, etc.), e ganhar mais dinheiro. Os que não têm dinheiro e precisam se submeter a tê-lo (leia-se: trabalhar), além de obtê-lo sofridamente e pouco, terá de entregá-lo sem opção B se quiser ir assistir a um jogo da copa, andar de avião, ter canais de Tv paga, por exemplo. É um círculo vicioso que uma privatização só faz aumentar.
Assim, o governo Dilma ignora suas iniciais de conduta ao não tomar Partido pelos Trabalhadores e, permitindo aos ricos a possibilidade de explorar ainda mais a grande população, aumenta a vala que separa pobres de ricos. E, antes que alguém me acuse de comunista, dou de antemão a pergunta que há anos me incomoda: por que trabalhar para outras pessoas? O que é bem diferente de não querer trabalhar ou de querer que tudo seja de todos, como gritam algumas leituras burras do capitalismo sobre o comunismo.
Se a desculpa de privatizar aeroportos for o curto prazo às construções para receber a Copa, ou mesmo a falta de dinheiro público, pois que a Copa seja levada a outro país. A batata quente que é o hospital sem médicos, a escola mascarada com altos índices de aprovação, a gasolina custando três reais o litro, e o povão comendo frango inchado por hormônios me parece mais importante que a satisfação de transporte e hospedagem de estrangeiros para...assistir a jogos de futebol?
Mas é evidente que esse parâmetro passa longe de ser questão crucial. Talvez seja mais uma técnica de poder (cabe analisar!). Afinal, o Brasil é o país do futebol. Como não poderia sediar uma Copa? Deus nos livre! Porém, triste é ver, a cada vez mais, o desfile estático das camisetas de times nas filas do INSS, das lotéricas, dos bancos, dos Detrans, das prefeituras, dos cartórios, dos postos de saúde...

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