segunda-feira, 6 de julho de 2009

Mata-se por causa de um gol?


Por diversas vezes, através de inúmeros fatos, parece-me que as pessoas vivem uma grandiosa peça teatral. Sem saber como começou, embolados, improvisando a atuação e ignorantes do desfecho.
Teatro em que todas as pessoas são, no cerne, animais de puro instinto que se esforçam para fazer acontecer, diariamente, estratégias de convivência, a que denominam civilidade.
A confusão se dá quando esses atores esquecem a cena seguinte e dão de cara com a vida real. Não há aí filosofia, sociologia, antropologia, psicologia ou demais ias que expliquem a incógnita que é cada mente humana.
Baseio este pensamento na seguinte situação: ontem, na saída de um campeonato de futebol aqui em Cascavel, o bandeirinha que arbitrava o jogo desferiu um golpe com uma chave de fenda na tia de um jogador adolescente porque essa tia, juntamente com seu marido (que também foi golpeado), partiram pra cima do árbitro, já na saída do estádio, para tirar satisfações sobre uns pênaltis anulados por ele.
A tia morreu. O tio está internado. O árbitro, provavelmente, vai alegar legítima defesa.
A confusão em torno de um gol seria motivo válido para encerrar uma vida? Civilizadamente, jamais. Mas, acho que não é por causa de um gol/não-gol que estas pessoas entraram em combate.
Lutaram por que lhes é natural, instintivo. Ignoraram a cena seguinte. E a situação apenas parece chocante porque não é comum. Não é aceitável para uma formação social como a nossa que se mate por causa de um jogo de futebol, um pênalti, etc. Mas, o que não se revela é o motivo exato da morte. Porque não se sabe. Deve estar nos porões das estruturas mentais, onde ninguém sabe vasculhar.

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