quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Repertório de conhecimento: cuidado!

Esta semana uma das atividades aplicadas aos alunos da escola em que trabalho era de produzir um texto no Word a respeito do homem e sua relação com a natureza. Antes da produção, da digitação propriamente, foi lido e comentado um texto que versava sobre essa relação - como o homem utiliza os recursos naturais em favor de sua sobrevivência. O que me espantou foi constatar uma interferência nítida da mídia no texto de um aluno. Até dei um "PrintScreen" na ocasião, mas deu pau na imagem. Logo, descrevo. Em certo excerto, o aluno digitou:

"O homen vive 7 anos menos que a mulher."

Certamente essa afirmação nada tem a ver com o tema do texto solicitado. Ela tem relações com outros inúmeros enunciados que dão conta da perspectiva de vida feminina/masculina, mas, para um aluno de 4ª série enunciar isto em um texto cujo assunto é homem-natureza, evidencia-se uma preocupação desse menino sobre essa possibilidade: o homem viver menos que a mulher.
Tentando compreender esse acontecimento enunciativo em suas condições de produção, podemos afirmar que esse sujeito disse o que disse porque foi atingido por um enunciado que lhe causou uma necessidade de reposta ativa. Esse enunciado que o inquietou, acredito eu (por ser o perído exatamente o mesmo - 7 anos), é uma propaganda transmitida pela TV Globo que diz que homens, por terem menos cuidado com sua saúde, vivem em média 7 anos a menos que mulheres.
Se de fato for, não que assistir televisão seja nocivo, mas, por aí percebemos como se forma a estrutura cultural, repertório de conhecimento de uma pessoa. No mínimo, percebemos o quanto as informações da mídia se fazem nossos enunciados e, logo, nos fazem. Mas, e se as informações da mídia não forem o que pensamos ser verdade e não passarem apenas daquilo que outros sujeitos querem que sejam? Então seremos resultado de desejo de outros? A brincadeira é complexa e séria.
Em todo caso, tomem cuidado com a TV. Ainda mais os pais em relação aos filhos! Apenas o professor é pouco para alertar dos perigos de uma formação de conhecimento precária e alienada. Leiam livros, naveguem na internet, perguntem, questionem. Chega de acreditar que o Bonner está sempre certo e a Ana Maria Braga só diz coisas legais.
Se não compreendida adequadamente, a mídia só pode ser letal à intelectualidade.

* A imagem do aluno é meramente ilustrativa

2 comentários:

Eder José disse...

Oi! Obrigado pela visita! Participe sempre que puder. Ótima semana pra vc tbm!!

Odair disse...

(Rssss)

 
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