quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sangra fundo em Sanga Funda

Amanhã, às 10h, de acordo com a Agência de Notícias do PR, o governador Requião vem a Cascavel para entregar 288 casas aos "invasores sem-teto" que atualmente ocupam a região do Gramado. Essas 288 casas compõem uma região (ao fundo da foto) que está sendo chamada de Sanga Funda. Numa dicionarização (de dicionário mesmo) tosca pelo Priberam, temos: Sanga = pântano
Fundo = situado muito adentro
Porém, esse problema de toponímia deve interessar mais à própria Onomástica. O que gostaria de destacar agora é um trocadilho muito coerente que aí se articula.
Que o Sanga Funda é, de fato, um pântano situado muito adentro está na cara. Melhor, na foto. Percebam que além das casas há somente chácaras, sítios, pequenas terras que já são a área rural de Cascavel. Em outros termos, os "invasores" serão deslocados de um centro urbano que é o Gramado para uma marginal, fazendo divisa com ... o mato. Em conversa com um futuro morador dali, este me disse que junto com as famílias vêm uma turma da pesada que está acostumada a passar noites em função do 'incômodo alheio'. Pior que isso é esses sanga-fundenses estarem tão distante de um desenvolvimento de mercado, trabalho, etc. A maioria é catador de papel, juntador de lixo ou simplesmente à-toa. A questão é: o que farão num reino tão-tão distante de empresas, de indústrias, de lojas? Ninguém consegue viver à-toa, pelo menos sem encher o saco de outros. Mandar invasores para o cú de uma cidade em prol da ordem burguesa é muito fácil. Só pegar uma grana Federal e colocar uns pilas em cima. A TV divulga e pronto.
O receio é que Sanga Funda logo se torne um local em que se Sangra Fundo.

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